Com a voz do coração dou as boas vindas e agradeço a visita, porque, a semente mais pura do pensamento, está no coração.





16/10/12

                                            
não quero ouvir cantar o vento
nas horas em que o sol chora
nem saber onde vive, onde mora,
é um bem querer...num só lamento.

canta quando eu não quero,
p’ra meu bem ou mal…isso que importa?
é chaga aberta batente na minha porta
por lá viver, um coração sincero.

mas disso o vento não quer saber
e dentro do meu peito há pétalas a arder
de flores carinhosas…outrora…

sou um jardim queimado… ou uma estrada
ou não chego sequer a não ser nada?
cala-te vento. quero silêncio quando o sol chora.



18/09/12

Demência dos deuses

dentro adentro por dentro
dos dias dissolvidos no vazio
dilatam-se dramas, dúvidas, descrenças
despem-se destinos vestidos de ausências
desperta dorido desespero
definham palavras despojadas de vontade
no silêncio demorado do devir. 
dançam demências à deriva
em declarado domínio de poder
delírio desenfreado dos desequilíbrios
desenhados à distância
que na distensa invisibilidade
disparam em todas as direcções
a desmembrar a dignidade. 
deixem-se deuses demónios de desejar
mais decretos-leis de desigualdade
porque o desígnio derradeiro e dominante
sem distinções… também a vós… irá domar


Teresa Gonçalves "in"livro painel multicor

03/09/12


quem duvida que a mulher abriga
em gomos de romãs a tristeza
no deserto do tempo? 

que adormece os ecos do vento
e amansa as marés com afectos?

que é dor esquecida
na alma presente
na palavra não dita
nos beijos que dá
no pão que amassa
em dias de sol 
em dias cinzentos
sem se esconder para lá do seu nome? 

na música dos ventos intemporais
será ela
sempre ela
silenciosamente
a entender todos os sinais
através das janelas da alma. 

Teresa Gonçalves 2012-09-01

06/08/12


dizes ter sentimentos? 
escondes a verdade
 na mentira e omissão 
 desdenhas da pobreza 
 da doença e da tristeza
 mostras indiferença
 por toda a humanidade
 não abres a porta à solidariedade
 esgueiras-te como a lua
 em frases de arquitectura
 sem nenhuma exactidão
 de palavras de conforto
 nem dum abraço ao compasso
 do sofrimento e da dor 
onde se calcinam vidas 
com o silêncio no rosto
 pela má sorte atraídas
 e confiado em tua suposta pertença
 dizes ter sentimentos? 

 tens a leviana loucura
 de levantar essa certeza
 onde chora a inocência 
de medo e amargura
 em caminhos assombrados
 por punhais de violência 
 em círculos acorrentados?

 não digas ter sentimentos! 
se o peso da mentira 
caiu sem piedade 
sobre a verdade 
para a converter em lama 
não me digas isso a mim
 que eu respondo-te assim:
 a tua visão do mundo
 é paisagem em poço fundo.

"in" T.G. Colectânea Galeria Portuense

DE PARTIDA PARA FÉRIAS, DESEJO A TODAS/OS AMIGAS/OS UMAS BOAS FÉRIAS. ESTAREI DE VOLTA EM SETEMBRO. BEIJOS MEUS E UMA FLOR.

30/07/12


                                         emoção peço-te: solta minh’alma!
construíste nela o ninho para viver
sem me dares tempo a poder dizer:
- sonhei singela,  nua,  pura,  calma...

se canto amor,  paz,  fé,  esperança,
sonhos,  tristeza,   dor,  ou amargura...
aqui levito numa onírica lembrança
de ter asas,  ser livre,  sempre tua

saber-te, emoção, dentro de mim
sem meu estro licença te ter dado
leva-me a desejar ser terra ruim

estéril,  ausente do sagrado
jamais sentir vibrar o coração
nem submeter-me à... agitação.

"in" livro Pleno Verbo

17/07/12


UIVAR DOS LOBOS



no tempo do vento advinha-se a angústia
e consome-se a alegria da alma

no tempo do vento roem-se unhas
de olhos espantosamente espantados
cegos pela areia arremessada
de uma assustadora onda corrompida
e inevitavelmente sangram sabugos
no silêncio do abismo

no tempo do vento os olhos são mar de dúvidas
a certeza ficou no uivar dos lobos
obstinadamente lançado à abóbada da dignidade

no tempo do vento
num mecanismo asfixiante
é servida a ausência de novos horizontes.




Teresa Gonçalves 2012/07/04

02/07/12



sinto nas asas
o peso dos túmulos.
 no coração
o peso das palavras.
da alma soltam-se pétalas roxas
que deslizam entre os dedos
                                              angustiadas