
fecham-se os olhos do sol em ciladas de frio
e estendem-se as horas soletradas
pelos ponteiros do relógio no inefável desespero da solidão
porta sim, porta sim, porta sim, porta não…
os rostos são apenas poemas frios
vocábulos da ausência
de uma chama a florir
entre os ecos do vento
e o espesso vazio…
o céu despeja a noite
descendo pelo corrimão
dos prolongados minutos
que são horas de nuvens Imagem Lucemar de Sousa
desfilando frias
sobre pássaros feridos
em frente ao espelho do tempo
no qual se morre em silêncio de olhos abertos…
no silêncio gelado
ouvem-se as horas soletradas
pelos ponteiros do relógio
porta sim, porta sim, porta sim, porta não…
Teresa Gonçalves




