Com a voz do coração dou as boas vindas e agradeço a visita, porque, a semente mais pura do pensamento, está no coração.






26/09/11

Pintura Gaudin


enquanto nos amamos loucamente,

o sol bem coruscante, apaixonado,

brincava com o dia alegremente

na tela, da paisagem, do passado.


a mesa estava posta para dois,

as paredes sequer tinham ouvidos

nem olhos, a espiar para depois

dizerem que nós somos uns perdidos!


quem não amou, não sabe avaliar

o pulsar crepitante de um amor

daí, saber, somente criticar!


mas deste nosso amor, sem ter limites

nós demos seiva pura com esplendor

para nascer o fruto onde tu existes.


Teresa Gonçalves

19/09/11

Imagem da Net

quem tudo quer _ nada tem.
em réplica de reticência
rodopia num vai vem
sem disso ter consciência

quem nada tem _ tudo quer.
um direito arrecadar
não p’ra um cofre qualquer
mas p’ra quem o sabe guardar

aconselho _ não imponho.
abre os olhos e encara a vida
antes a morte de um sonho
que a vida inteira perdida.

“in” Singelo Canal.

12/09/11

Pintura: Jean Jacques

o poema é meu amigo
é o homem que abraço
é aquele a quem eu dou
sete beijos em cada face

o poema é meu amante
entrego-lhe corpo e alma
deito-me em suas sílabas
em metáfora constante

o poema é o meu amor
meu amigo_meu amante
sou dele sem qualquer pudor
em sensual fogo cantante.

é teu também?

"in" Singelo Canal

05/09/11

Pintura de Marice Denis

queria poder desvendar-te
numa prece à beleza
na água cristalina
no silêncio verde
na glória dos céus
num sopro de grandeza
no príncipe das marés
na transparência da luz
no anel do sol
no luar ausente
no beijo das rosas
no coração dos pássaros
na pele nocturna da terra
e no ventre sagrado das coisas secretas
onde giras...giras...giras
na plenitude do Universo
num recomeço contínuo infinito
para te dizer:
- rendo-me! -
entre o sonho branco e o cântico do sangue.

"in" Singelo Canal

29/08/11

Imagem da Net

no grito silencioso da pedra
escuto o grito da Natureza.

numa linguagem de silêncio
converso com ela
sobre as pedrinhas
que apanhava
na rua da minha infância.
elas não cresceram
nem adormeceram
dentro do meu sapatinho
de criança.

agora na sua face gretada
ponho as minhas mãos de amor
com as pedrinhas
da rua da minha infância
porque…
quem vê, lê ou sente a sua desdita
se no cantar perigoso
dos nossos passos
lhe pisamos a intimidade
sufocando-lhe o grito?

“in” Singelo Canal

21/08/11

Imagem Susan Rios

a poesia, meu amor, não está no verso
está escrita no espírito da Natureza.
a poesia, meu amor, lê-se na pele da Terra estendida há milhões de anos.
lê-se na frescura da água, testemunha abençoada da idade e do tempo.
lê-se no melodioso som da brisa, desflorando o segredo das árvores.
lê-se no silêncio verdejante e no festim colorido das flores.
lê-se no sereno trinar das aves e no bailado mágico das suas asas.
lê-se nos olhos gretados das pedras e nos altos ombros das montanhas.
lê-se no espelho dos rios e na vastidão ondulante dos oceanos.
a poesia, meu amor, não está na rima
está escrita no espírito do Universo.
a poesia , meu amor, lê-se na viagem do vento, na gravidade da chuva
na alvura da neve, no relâmpago prateado.
lê-se no amanhecer dourado do sol e no crepúsculo da despedida.
lê-se no império das estrelas e na luz nocturna da lua, mãe das ilusões.
lê-se no eterno infinito do mais infinito.
lê-se no silêncio dos silêncios.
a poesia, meu amor, não tem estrofes
lê-se na vibração da vida, na seiva, na felicidade, na alegria, na esperança.
lê-se na nuvem da angústia, no medo, na dor,
na solidão.
a poesia, meu amor, lê-se no perfume irrequieto do sorriso das crianças.
lê-se na neve dos cabelos, nos rostos de renda, nos corpos curvados.
lê-se em ti, em mim, unidos num só corpo, num beijo, numa carícia
presa ao movimento que o germe do afecto nos ordena,
num caudal de
ternura, delírio e desejo.
a poesia, meu amor, não está no verso
lê-se no circunflexo amoroso da Natureza e do Universo.

"in" Pleno Verbo

01/08/11

Imagem da Net

pouco importa
o hábito que vestimos
se não for
determinado pelo coração
e não importa
o que os outros pensam
do cantar do vento
em nossas bocas mordendo

importa saber
sermos sol _ sal _ mar
céu _ estrela _ luar
quando no movimento do vento
nos foge o ás de copas
e ficamos sem voz
com o ás de espadas?


“in” Singelo Canal