Com a voz do coração dou as boas vindas e agradeço a visita, porque, a semente mais pura do pensamento, está no coração.






22/06/10

NOITE DE SÃO JOÃO

Imagem Google

Meu Porto é emoção
na noite de São João.

não descansam os corações
tripeiros e de outra gente
para viver as tradições
duma noitada diferente

à ternura irrequieta
a porta está aberta
deste Porto tão velhinho
com aroma a rosmaninho
pois todo ele afreta
imensa claridade
que até a rua Escura
deixa de ser obscura
p´los rostos de igualdade

divertimento noite fora
que São João não tem hora
nem idade o mar de povo
nem há nariz esquisito
que não cheire o alho porro
cidreira ou manjerico

ouvem-se galanteios
simpáticos...e porque não?
uma marteladinha a preceito
não é falta de respeito
e aquece o coração...
e a tentadora sardinha
assada comida à mão?
tem um melhor paladar
nesta festa popular

e São João na cascata
majestoso no seu trono
vê cair a orvalhada
vê dançar no céu balões
vê alegre romaria
vê o rio cor de prata
vê longo navio sem sono
repleto de paixões
vê quanta luz irradia
a sua fraterna noitada
envolvida em fantasia
que a festa é poesia
solta da alma do povo.

15/06/10

LUA DO MAR

Foto de autor desconhecido



o mar viu-nos assim.

beijavam-me os pés
os seus lábios de espuma
enquanto eu estremecia nos teus braços
e fiquei presa aos grãos dourados
na incerteza de te ver tal como és.

o mar viu-nos assim.

agora
do outro lado desse espelho
na certeza de te ver tal como és
vejo a linha do meu Equador
na lua do mar
na brisa do infinito.

é esse o beijo que eu quero que bebas
é esse o aroma que eu quero que sintas
enquanto o Príncipe das marés
me adormece docemente nos seus braços
por mais longe que eles vivam...

é esse o beijo que eu quero beber.
é esse o aroma que eu quero sentir.

"in" painel multicor - volume II

07/06/10

Imagem Google



se te dás

não fazes de mim ditosa amada.

as tuas carícias escaldantes

no cetim da minha pele sensível

ardem...ardem...

até abrirem chagas no meu corpo

expor-me à toa ao teu amor

não posso

sê mais morno senão desatino


premeia-me suavemente pela manhã

que ao meio dia não suporto já

alergia que me provocas

com a tua energia positiva

que em mim é negativa alergia


para que eu esqueça

como em criança te encarava com alegria

sem ter consciência do mal que me fazias

afaga-me quando estou na água

ou ao amanhecer antes de aqueceres


adoro-te e fico por aqui

amor que nem de todo desejo.


( fonte inspiradora o Sol )


30/05/10

hoje é o tempo

do renascer vigoroso de deusas primordiais

que dão à paisagem

formas tecidas de folhas


é o tempo

do sol sorrir na transparência da água

ou deitar-se manso

sobre ondulantes lençóis verdes azulados

até adormecer no crepúsculo


é o tempo

de sentir o brando acordar da brisa

do sereno canto dobrado das aves

que atravessam o eterno espaço

e de gravar na retina o dócil bailado das mariposas


é o tempo

das palavras florirem mágicas

nas sílabas silenciosas da inspiração

para se oferecerem à poesia


hoje é o tempo

de respirar

beber e saborear a essência

na existência do segredo da Vida.

" 45 Poemas pela Vida"


20/05/10

Foto de Manuel Lao

alimentamos sonhos

no silêncio erguido à esperança

e por vezes deixamo-la esvair-se

ao cair na realidade



11/05/10

Pintura de Carrington

não contes as contas do teu rosário

que são contas pagas sem obrigações.

conta as que dão por conta num sumário

de contas das razões esquivas dos vilões


nas contas não reza o teu fadário

porque esse a vida não esqueceu.

conta todas as folhas do diário

onde a criança ferida escreveu


no final de contas há que esconder

dentro do manto da fé e da bondade

a negra política para não se ver


como a mentira vence a verdade

com papas e mais papas de sarrabulho

num odor de contas feitas de entulho.


25/04/10


deposito palavras da minha boca

no mais alto de mim.

e num sopro de amor sol

entrego-as a ti

sem ferir teu silêncio.