Com a voz do coração dou as boas vindas e agradeço a visita, porque, a semente mais pura do pensamento, está no coração.






20/10/10

ANTES DO CAIR DA FOLHA

Imagem Google


recordo histórias de outono
em livros fechados numa prateleira invisível
que jamais se vêem
que jamais se abrem
que jamais se lêem.

outonos antecipados, vergados, pela tempestade da vida.
passaram o verão sem verem a primavera
e desistindo de vencerem o inverno.

histórias de outono sem rosto
de quem ficou impossibilitado
de procurar a palavra mágica da prata.

de quem não conseguiu inventar o sol no silêncio de cada lágrima
e sucumbiu à derrota.

plena negação de o viver e sentir
preferindo o profundo sono do pó, cinza e nada
despedindo-se antes, muitos antes do cair da folha
do fumo da combustão que não chegaram a ser.

recordo histórias de outono
em livros fechados numa prateleira invisível
que jamais se vêem
que jamais se abrem
que jamais se lêem.

" Entre Dois Nós"

11/10/10

Imagem da Net

Jesus fez a triplicação do pão
Santa Isabel transformou o pão em rosas.
é urgente descobrir onde se encontra
a receita dos milagres.

30/09/10

CÉU IMPOSSÍVEL

Imagem Style

ao meu silêncio falo do meu silêncio
dentro de mim falo dentro de ti

no teu silêncio falas ao meu silêncio
dentro de ti falas dentro de mim

e as carícias das tuas mãos
dizem-me que nem os meus olhos
nem os teus olhos se esquecem de além

muito além.muito mais além
do silêncio das nossas bocas

os nossos lábios
sim. os nossos lábios
são pétalas de beijos desfolhados
num céu impossível
mas...

"in" Entre Dois Nós

21/09/10

ANTES

Imagem Google

Antes
no cume do silêncio
o viço da paisagem
entrava nos olhos
enchia a alma
floria serenidade
e alimentava o espírito.

Antes
entre afagos da brisa
e silvos de vendavais
erguiam-se as árvores
deusas primordiais de esperança
a fauna não se tresmalhava assustada
as aves esvoaçavam caminhos
por entre o verde silente.

Antes
à margem do sonho
sobrepunha-se a imagem
da beleza sublime da paisagem no Gerês
fonte de inspiração de poetas
como Miguel Torga que respirava e sorvia
com notabilidade
as sílabas da palavra poesia.

Antes…não agora!
encarava-se qualquer dia
de verão com alegria
sem receio nem preocupação
de ver as nossas florestas
mergulhadas no malévolo
e aterrador inferno de Vulcano.





07/09/10

POEMA TREZE DE SETEMBRO

Imagem alaya_gadeh mil sois
mil luas
mil estrelas
num Setembro recebi de ti
no mais belo poema que vivi
escrito a carícias no cetim do meu corpo
escrito nos meus lábios pelos teus beijos
escrito no meu rosto pelo sol dos teus olhos.

mas...
o destino quis fazer as partilhas da vida
e dele em outro Setembro recebi
o mais triste poema que vivi.

mil lagos
mil rios
mil mares
em mil dores
eu enchi por ti

mil sois
mil luas
mil estrelas
mil dias
mil noites
mil sonos
mil sonhos
eu perdi
e hoje canto mil saudades em mil letras de amor
ao mais belo poema que vivi.

"in" painel multicor volume II

06/08/10

FÉRIAS

Pintura de Augusto Trigo


Sinto saudade das férias que não tive.
Dos anos em que o lugar das férias não repousava no mapa do trabalho,
enquanto embalava a utópica convicção de que só através dele,
poderia materializar todos os meus sonhos.
Caminhei sobre o tempo, misturando um mar de marés vivas com breves
e suaves brisas de esperança, em duelos constantes, como uma necessidade
de remar contra a maré e as férias, partiram de mim avançando num projecto adiado.
Inventei o começo das manhãs e não as deixei repousar no mapa do trabalho.
Nesse lugar, fechei e abri horizontes, realizei alguns sonhos, muitos ficaram
pelo caminho e outros caíram como castelos de areia.
São dessas férias que sinto saudade.
Agora o tempo caminha sobre mim.
Os poucos anos em que dei outro lugar às férias, revivo-os olhando fotos
e postais dos locais por onde passei. Dentro de mim, existe a saudade das férias que não tive, dos anos em que por ingenuidade, embalei a utópica convicção de conseguir pelo trabalho realizar todos os meus sonhos. Nada mais.
E tu, meu amigo, que caminhas cansado feito um fim de tarde,
em busca dos sonhos perdidos e vês passar as férias
como uma miragem causada pelo desemprego, diz-me, de que sentes saudade ?

27/07/10

DESALENTO

Imagem Google

que dedos de bruma
vão tecendo a hora de coisa nenhuma?
nas pausas da tarde
que mistério chora que espantalho arde?
de lábios de espuma
que mar me devora
que noite me invade
entre o verso e a rosa
o que a alma ignora me roubou a tarde?
de que lado sopra o vento?
qual a estrada errada?
onde ir buscar o alento para encorajar o nada?
pouco ou muito sentimento
não responde a esta chamada
da vida desencontrada
dos espantos do momento
vai-se o tempo, vai-se o vento
fica a estrada inacabada
e uma forte dor alastra
que me rói o pensamento.

"in" painel multicor ( volume II)